Dúvidas endometriose

Porque a dificuldade de os exames acharem a endometriose?

Fábio Ramajohttps://www.instagram.com/dr.fabioramajo/Médico Ginecologista
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Até agora não temos um exame de sangue que identifique a chance de ter ou a presença de endometriose nas mulheres. O caminho é através de exames de imagem adequados feito por profissionais capacitados.

Apesar de existirem sintomas comuns de endometriose, eles se misturam na história clínica com vários outras sensações e queixas inespecíficas que são comuns à outras doenças de outros órgãos e aparelhos. As alterações urinárias e intestinais são as duas principais que competem pelo diagnóstico, podendo inclusive coexistir na mesma paciente.

O exame físico pode ser pobre, por vezes não agregam dados para escolha de exames complementares. Assim, há uma dificuldade em se escolher exames de imagem para auxílio diagnóstico. Se a doença é maior, com achados clínicos significantes, há um direcionamento mais claro para os exames complementares. 

A triagem deve ser feita com Ultrassom (US) pélvica transvaginal, mas estes exames, que são realizados na rotina ginecológica, são feitos de forma muito superficial, rápida e por profissionais não capacitados para utilizar o método em favor da localização das lesões da endometriose. Com exceção do endometrioma ovariano – lesão cística dos ovários – o US de rotina não é capaz de identificar a endometriose na maioria das vezes. O ideal é que este exame seja direcionado para profissionais mais qualificados e indicando as alterações encontradas na história e no exame físico. Sem isto, várias alterações poderão passar desapercebidas. 

Na prática, há um esforço muito grande dos médicos especializados em difundir o US com preparo intestinal, que é um exame realizado por médicos treinados para identificar lesões de endometriose, como exame padrão ouro do diagnóstico, por já ser um exame disponível na maioria dos locais. Mas ainda faltam profissionais.

Outro exame capaz de fazer um adequado diagnóstico é a Ressonância Magnética pélvica, mas também deve ser feita com protocolo específico de endometriose para poder identificar as lesões adequadamente.

Nos acometimentos fora da pelve, o problema acaba sendo bem maior. As queixas são completamente inespecíficas, com exames subsidiários inconclusivos. Como há normalmente concomitância com lesões pélvicas extensas, a pesquisa destes locais com outros exames será necessária nos estádios mais avançados. 

Com a falta de médicos capacitados no diagnóstico, o processo de avaliação é lento, causando um aumento do sofrimento pessoal e piora da qualidade de vida. Por fim, o diagnóstico acaba sendo tardio, quando há mais complicações e dificuldades no tratamento. O segredo é achar uma rede de profissionais especializados no diagnóstico e tratamento da endometriose. Comece por um ginecologista.